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O Esperanto como Revelação - Capítulos VIII, IX e X

O Esperanto como Revelação - Capítulos VIII, IX e X

    VII - EXIGÊNCIAS DA SOLIDARIEDADE

   As criaturas que hoje se amesendam com o pão da carne serão amanhã as criaturas da vida real, acomodando-se, obrigatoriamente, aos valores do espírito. Desembaraçadas do coche físico, ainda mesmo quando temporariamente imobilizadas nas idéias antropocêntricas que lhes alimentavam os dias, acabarão apreendendo o imperativo da própria libertação, abrindo janelas interiores que lhes ventilem os pensamentos.

   Se um homem comum da atualidade, ocupando um avião a jato, pode retirar-se da América, descansar na África e conciliar negócios na Europa, no espaço de algumas horas, precisa senhorear várias línguas ou remunerar diferentes intérpretes para movimentar-se com segurança e proveito, imaginemos o homem desencarnado, na complexidade das sensações novas que o tomam de assalto, quando a ruptura da represa sensorial lhe extravasa os sentidos. A sede de comunicação e de solidariedade requeima-lhe o cérebro e comprime-lhe o coração.

 É imprescindível falar e ouvir, perceber e compreender, desonerar-se de condicionamentos antigos, quebrar velhas fórmulas, ajustar-se a mais amplas dimensões, expungir o passado e partir de si mesmo.

   IX - IDIOMA INTERNACIONAL E RELIGIÃO UNIVERSAL

   Atendamos, desse modo, nós outros, espiritualistas e espíritas, encarnados e desencarnados, ao incremento do Esperanto, em simultaneidade com o esforço de restaurar as colunas do Cristianismo, por santuário vivo da Religião Universal, em bases de amor e sabedoria, no terreno da Bondade Imensurável de Deus e Sua Justiça indefectível.

   Não importa estejamos, na condição de coidealistas do Esperanto, em sintonia com os nossos irmãos católicos, reformistas, ortodoxos, bramanistas, budistas, israelitas, sintoístas, maometanos, zoroastristas, ateus e de quaisquer outras confissões e convicções, porquanto, as correntes de idéias, como as fontes de níveis diversos que deságuam invariavelmente no mar, alcançam sempre o oceano da realidade imutável, em cujas águas as advertências da evolução nos impõem o reconhecimento da própria humildade ante a grandeza da vida, com a impersonalização de nossa fé.

   Desfraldemos, assim, o estandarte verde por símbolo de união!
   Em qualquer idade, aprendamos!
   Incompreendidos, prossigamos!
   Alegres, perseveremos!
   Esperanto quer dizer "o que espera".
   Marchando e servindo, crendo e amando, imperturbáveis, esperaremos.

   X - EM SAUDAÇÃO

   E agora, Zamenhof,
   Que um século termina
   Sobre a tua chegada
   Ao mundo em transição,
   Saudamos-te a grandeza
   Em preito reverente.
   Depois que deste aos homens
   A mensagem de luz
   Do Esperanto sublime,
   Guerras encarniçadas
   Açoitaram de novo
   As nações divididas.
   Mas do fundo da noite
   Em que a discórdia alonga
   Azorragues de treva,
   A estrela que acendeste
   Em verde resplendente
   Anuncia a união.
   E nós, Esperantistas,
   Trabalhando, dispersos,
   No chão de todo o Globo,
   Repetimos contigo:
   — Louvado seja Deus!
   Bendito seja o amor!...

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Ditado pelo Espírito Francisco Valdomiro Lorenz
Mensagem psicografada em 19 de janeiro de 1959, em Uberaba, Brasil.