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  • Paty Bolonha

As diferenças são tão iguais

As diferenças são tão iguais

    Iniciava-se o semestre após as férias de inverno. O liceu voltava a iluminar-se com a presença animada das crianças no cotidiano hodierno. Cheios de disposição e cadernos, lá vinham os pequenos, saudando colegas e professores com afeto fraterno.  

   – Olá menino! – Gritaram Verônica e Luzia.

   – Quanta falta senti de vocês meninas!

   – Olhem, olhem, lá vêm chegando Evangelina!

   – D. Filó, D. Filó… chegamos… - Anunciaram as quatro crianças em coro efusivo.

   A Professora ergueu os olhos, estampando no rosto um sorriso largo para receber seus pupilos. Perceberam eles que ela não estava só dessa vez, com ela um garoto, sentado em um cadeira de rodas, a acompanhava, e puderam notar que tinha um semblante simpático e expressivo.

   – Crianças, este é Cândido, um novo amigo para todos nós. Vocês irão perceber que nossos espaços foram adaptados para o recebermos bem, para que sinta-se confortável e protegido de perigos causados por empecilhos ou obstruções. Nossos irmãos que possuem limitações tem esse direito, aliás outros mais, como o direito de locomoção, permanência, e ativa participação na sociedade como qualquer outro cidadão, e ter assegurado os direitos de acessibilidade e assistência, de saúde, a trabalho compatível, a cultura e a educação. Cândido, assim como tantos outros irmãozinhos que por alguma razão apresentam deficiências físicas ou mentais, podem possuir algumas pequenas diferenças, mas não resta dúvida que aos olhos de Deus os seus Filhos amados são todos iguais. Nossa ignorância muitas vezes não percebe a riqueza da inclusão, o bem conviver com as diferenças é um tesouro de incalculável valor, onde se ensina e se aprende pelo verdadeiro amor.  

   Logo o grupo já estava completamente entrosado, gentil e naturalmente todos propunham-se a ajudar. O que Cândido tinha por restrição na dificuldade de movimentação, sobrava em inteligência, franco humor e comunicação. Compartilhando com os amigos seus conhecimentos, era feliz e admirável por sua capacidade de superação. Uma prova de que o que nos faz diferentes ou iguais, é aquilo que chamamos de sintonias espirituais.