• Rua Alan Kardec, 68 - Brumado/BA - CEP: 46100-183
  • Revista Reformador

O moço do manto marrom - O evangelizador anônimo

O moço do manto marrom - O evangelizador anônimo

   Sandra Borba Pereira, colunista da Revista Reformador, presenteia-nos com belas reflexões acerca do processo de evangelização. Relembra-nos a história de um anônimo que, à época de Jesus, colhia seus conhecimentos com profundo interesse e, devido à sua compreensão íntegra da mensagem do Mestre, não buscava destaque pessoal ou sequer interessava-se em fazer parte dos discípulos mais próximos de Jesus. Se contentava em divulgar a mensagem do Mestre através de material escrito por ele mesmo, direcionado para o trabalho de evangelização.

   Segundo a autora, a história do Moço do manto marrom - contido no livro Ressurreição e vida, autoria de Léon Tolstoi, psicografia de Yvonne do Amaral Pereira - leva-nos a estabelecer algumas analogias com a ação de centenas de evangelizadores espalhados no Brasil inteiro e alhures, na tarefa quase sempre anônima, sem vitrine, mas de profunda significação para hoje e para os dias futuros. 

   1 - Ser tocado pelo Senhor - Semelhantemente ao Moço do manto marrom, o evangelizador é alguém que precisa ser "tocado" pela mensagem do Mestre, internalizando passo a passo os valores e os ideais do Evangelho, para vivenciá-los.

  2 - Aceitação do chamado para ao serviço - A assimilação do conteúdo evangélico doutrinário não pode ser passiva. É preciso compreender a dinâmica que o Evangelho propõe a todo aquele que lhe bebe a água viva do esclarecimento e da consolação. Não basta saber, é preciso agir de modo transformador.

   3 - Integração com as comunidades - O Moço do manto marrom buscava se informar dos costumes, linguagens e interesses dos ouvintes, sendo bem acolhido principalmente por crianças e jovens. Igualmente, o evangelizador é alguém que deve conhecer o público junto ao qual desenvolve sua ação, para ter maior e mais profunda clareza quanto à forma de atuar.

   4 - Uso de técnicas e recursos aliado ao estudo e ao sentimento - O autor espiritual destaca, na apresentação do discípulo anônimo, seu interesse em registrar os ensinos e fatos tendo Jesus como figura central. O estudo e a meditação, o uso de recursos como a poesia e o canto, a música e a narrativa, eram regados pelo sentimento de amor dedicado a Jesus. O evangelizador consciente sabe que deve buscar o conhecimento evangélico e doutrinário, desenvolver habilidades comunicativas e fazer uso da arte, de recursos didáticos, da relação afetuosa. Daí a necessidade permanente do estudo e da pesquisa, da oração e da preparação espiritual, da organização do processo de ensino-aprendizagem, para o alcance dos elevados objetivos da evangelização.

   5 - O trabalho anônimo - O discípulo anônimo do manto marrom não buscava o aplauso ou sequer exigia integrar o grupo que de mais perto acompanhava Jesus. Bastava-lhe saber que o Mestre nele confiava. Assim devem ser os tarefeiros da evangelização: trabalhadores anônimos que não buscam o "destaque", mas que realizam, silenciosamente, o serviço que o Pastor sublime lhes confiou.

   6 - O compromisso com a educação moral - Em dado momento de sua narrativa, Tolstoi informa que o Moço sonha com Jesus a lhe dizer:

   [...] Será bom que te dediques também a educar corações e caracteres para os meus serviços do futuro, que abrangerão o mundo inteiro através das idades... [...]

   Consicentes da condição de colaborador do Mestre na obra de redenção da humanidade, o Moço do manto marrom assumiu seu compromisso de divulgar a mensagem de Jesus. Cooperadores do Senhor, somos, os evangelizadores de hoje, chamados a seguir-lhe o exemplo de compromisso com a educação moral nossa e das novas gerações: Espíritos imortais destinados à perfeição.